Você se olha no espelho e não sabe dizer quem é, o tempo levou muito de você e só restam cicatrizes, olhos cansados e cabelos brancos, decepsionada você descobre que não fez nada do que quis você se importou tanto com sua aparência e seus "amigos" que deixou sua vida passar num instante, sem aproveitar, sem viver. Hoje você vê que sua vida poderia ter sido um filme de longa metragem que foi substituido por uma propaganda de comércio. Que feliz você foi ao saber que estava agradando e que triste você é agora por não ter sido como quis, a sua vida passa em frente dos seus olhos rapidamente com poucos vestígios de alegria e independencia. A indiferença havia tomado conta de seu corpo, apesar de saber que a liberdade e a personalidade lhe fariam mais feliz, não tinha escolha, ou era uma boneca na caixa, ou suas chances de ser rica sumiriam. Até que ponto vale a pena investir no futuro? Pensou que nunca esqueceriam seu nome? Agora pode ver que todo aquele dinheiro e toda aquela fama lhe trouxeram prazer momentâneo, se arrepende sem admitir e se sente triste e sozinha, pois seus filhos já não suportam cuidar de você, eles trabalham demais como você trabalhou, e se sentem orgulho de si mesmos a medida que se enriquecem, até esquecem do aniversário da mãe que parou no tempo e no azilo, com mal de parkinson, alzheimer, artrite e outros problemas mais que vem quando a idade bate. Passam tempo demais trabalhando, não devem ter esquecido, era o que a mãe desamparada pensava ao ver que não significava mais que uma casca. Uma semana, duas sem presente, sem ligação, sem nada. Apenas um neto aparece e lhe diz acompanhado de lágrimas: A verdadeira coragem não é ir andando na frente de sua vó, a verdadeira coragem é abraça-la e andar devagar, andar no tempo dela, sentir o tempo dela, ouvir o tempo dela.

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