sábado, 3 de dezembro de 2011

Outro dia eu estava em uma boate aos beijos. Terminada a sessão pegação, a criatura me pede o telefone e diz "quero muito a sua amizade". Com o mundo desmoronado, falei "amizade?" e ouvi "sim, vamos ser amigos?". Olhei para aquele ser com o celular em punhos, aguardando o meu telefone e disse "não, eu não vou te dar o número do meu telefone. Eu não preciso e não quero ter mais amigos, estou satisfeito com a qualidade e a quantidade de amigos que tenho. Não beijei a sua boca querendo amizade. Se eu virar seu amigo, com a convivência, eu vou me apaixonar e vou sofrer. Já passei por isso, e a última coisa que quero no mundo é voltar a sofrer ". E, simplesmente, não dei meu telefone e não fiquei mais perto do último sem noção da vez.

Para o meu espanto, ele ficou espantado, disse ter ficado com raiva e mais tarde, com um teor alcoólico mais elevado no sangue, chegou a dizer que me odiava, pois eu o desprezava (tinha acabado de conhecer a criatura), para depois dizer que estava se culpando por ter me "ludibriado". Só que, na verdade, o choque, o espanto, foi meu, não só porque ainda tento entender em que universo vive uma criatura que beija as pessoas buscando novos "amiguinhos", mas, principalmente, porque não sei o que aconteceu com o mundo, não entendo em qual século e por qual motivo ser sincero se tornou um defeito. Qual parte da história eu perdi para ter tudo ficado assim? Não que eu seja um santo, mas juro que não minto, às vezes não falo a verdade, mas não minto, e quebre seus neurônios para entender a diferença.

E se já não bastasse ter sido flertado, conquistado, beijado e promovido de conhecido a ficante e rebaixado de ficante a amiguinho em menos de uma hora, ainda tive que aturar meus amigos, os de verdade, também espantados comigo, me dizendo que eu não deveria ter dito o que disse, que eu deveria ter sorrido, dado o telefone, e tentando nos próximos contatos conquistar o moço (e que moço!) aos poucos. Espera aí! Além de não ser sinceras as pessoas se acostumaram tanto a mentir, a simular sentimentos e emoções, a ser polidas em excesso (falsas), que também passaram a duvidar naturalmente das palavras do outro, passaram a entender como quiserem o que o outro disser e já julgam que é uma mentira, um eufemismo, talvez? Se um cara me diz "quero ser seu amigo" ele quer ser meu amigo! Ele não quer ser meu namorado e confundiu as palavras, e se eu der meu telefone para esse cara, querendo mais do que amizade, eu serei desonesto, com ele e comigo! Se alguém nos disser algo não temos que viver de elencar as possibilidades, de entender do modo mais conveniente possível, temos que ser literais, as pessoas são bem simples, o resto é fruto de nossa complicada imaginação. E se por um acaso alguém não sabe expressar que te ama, problema particular dessa pessoa, não force a barra. É apenas a verdade dita e demonstrada que importa.

Mas quando eu falo em verdade eu não falo em dizer ao seu amigo que ele é careca e não sabe, à sua amiga que ela está gorda, à sua prima que o véu de noiva dela é a coisa mais ridícula que você já viu, ou ao carinha da balada que não vai ficar com ele porque ele é horroroso. Isso não é sinceridade, isso não é dizer a verdade, isso é ser grosso e eu não incentivo pessoas grossas eu as desprezo. Quando eu falo em dizer a verdade, eu falo sobre ser honesto com os seus sentimos e com o que as suas ações podem provocar no outro. Para que dizer que aceito ser só amigo de alguém se não tenho esse interesse, se não serei feliz assim? Para que fingir ser o que não sou? Temos que aprender a nos aceitar e aceitar nossos limites e também a saber o que queremos do outro, isso é ser sincero.

Dias depois eu descobri que eu fiz mesmo certo em não dar meu telefone, o indivíduo não sabe sequer o que seria uma amizade. Me contou três mentiras descaradas em sequência e a verdade veio à tona logo em seguida. Ai, ai... Só falo uma coisa, só te conto uma verdade: quer mentir para mim? Mente, o problema é seu, não meu! Mas diga mentiras convincentes, me faça acreditar! É, eu sei ser falso e acreditar em você. Agora, por favor, não duvide da minha inteligência, não me faça crer na sua burrice! Obrigado, passar bem, bem mal, imbecil. Desculpa a aspereza, é que eu não sei mentir, benzinho. Me desculpe, de verdade!

                                                       ( Autor Desconhecido )

Por :  Emanuelly Ramos .

Nenhum comentário:

Postar um comentário