Tenho andado com um guarda-chuva o tempo todo, mesmo que não pareça que vá chover. É grande o medo de me molhar. E embaixo desse guarda-chuva eu ando escondendo meus desejos e o meu coração. Sou descontraído, mas, ultimamente, se é amor eu travo. Me tornei alguém retraído, contido e tímido no amor. Não no sentimento, ainda sinto de modo intenso e em excesso, mas tenho me retraído nas atitudes. Retraído em um sentido geral do amor, nas paqueras, nas investidas, eu tenho preferido deixar passar do que me magoar. Não sei se por autoestima, se por falta de estima ou se por excesso de estima, mas tenho preferido perder uma chance do que ganhar outra ferida. Sabe aquele papo de que gato escalcado tem medo de água fria? Não é verdade! Gato escaldado no nível de escaldo que eu vivenciei tem medo de gota d'água, tem medo até de torneira. Não tenho nem 30 anos de idade ainda, mas sinto que não tenho mais idade ou paciência para aqueles joguinhos todos de paquera. Eu tenho trocado a paixão pela dúvida e não encontro o guichê no qual desfaço a troca. Meu coração tem batido na frequência de interrogações. Se alguém diz que me quer ou parece me querer eu só consigo me perguntar "será que quer mesmo? Será que não estou confundindo tudo? Será que não é só coincidência?". Eu já me confundi tantas vezes, como vou saber que não é mais uma confusão? Já entendi como amor tanta amizade que queria só a minha companhia, já confundi com desejo tanta brincadeira de quem só queria brincar. O que eu tenho que tantas vezes já fui o brinquedo preferido de tanta gente? Sou um idiota que não sabe diferenciar intenções ou só convivo com gente que semeia paixões? Porque tem gente que semeia paixões e se ela brota no seu peito a culpa é sua, é você quem confundiu tudo. Já recebi olhares, pedidos, toques, ordens e no fim eram infelizes coincidências. E fui me fechando, me trancando, achando normal. Serei eu o problema? Serão todos os outros os problemas? Mas, peraí, eu não me apaixonei por todos, eu me apaixonei por alguns que eram apaixonantes, intencionalmente apaixonantes, ainda que depois desconversassem. Deixei me jogarem no lixo e só me notarem quando o cheiro do lixo vencido me fizesse notável, eu me consolava com meu coração reciclável. Só que fui dançando a música da maioria e aprendendo a me contentar com menos. Quando o amor se tornou algo que exige da gente sorte? Passei a ter medo de tentar, de ser alguém pé-no-saco, alguém indesejado e passei a ficar quieto, eu deixei de ser eu. No entanto, se a gente começa a se acostumar a ser ignorado e acha estranho quando alguém te trata bem ou te dá atenção, tem algo errado acontecendo. Ao invés de me fechar eu poderia "curtir" a vida e "pegar" geral sem compromisso. Adoro sexo sem compromisso para quando eu não quero me comprometer. A gente não pode se dar o que a gente não quer com quem a gente quer. E o meu compromisso comigo? E os meus desejos? Será que as pessoas são só um rosto no Facebook: você chega, curte e desaparece? Eu até poderia mudar, mas não há nada a fazer quando você não é O motivo suficiente para alguém te querer. Não sou carente, mas meu coração é fértil, seletivo, mas fértil. Se eu te permitir entrar na minha vida, não semeie paixão se eu tiver que colher desilusão. Me tornei alguém medíocre, esperanças não movem mais meu coração, ele agora precisa de certezas. Com incidência foi tudo coincidência e o que restou foi um coração apaixonado batendo tímido no peito de alguém que foi deixado de lado.
Por : Emanuelly Ramos'

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